O homem é só. Mas constelar na essência. / Seu sangue em ouro se transmuta. / Na pedra ressuscita. / No mercúrio se eleva. /
Olha-me de novo. Porque esta noite / Olhei-me mim, como se tu me olhasses. / E era como se a água / Desejasse / Escapar de sua casa que é o rio / E deslisando apenas, sem tocar a margem./ Te olhei. E há tanto tempo / Entendo que sou terra. Há tanto tempo / Espero / Que o teu corpo de água mais fraterno / Se estenda sobre o meu.
Estou no centro escuro de todas as coisas / Mas a visão é larga / Como um grito que se abrisse e abrangesse o mar.
Hilda Hilst
http://www.hildahilst.com.br/
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domingo, 15 de agosto de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Rios
Rio Ipiranga / Parque Nacional do Pico do Marumbi / Paraná
Foto: Renata
Molhemos leves
As nossas mãos
Nos rios calmos,
Para aprendermos
Calma também...
Ricardo Reis
Nínguém pode entrar no mesmo rio duas vezes.
Heráclito
O som da água diz o que eu penso.
Poeta taoísta
porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma dos homens. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranquilos e escuros como os sofrimentos dos homens. Amo ainda mais uma coisa de nossos grandes rios: sua eternidade. Sim, rio é uma palavra mágica para conjugar eternidade...
Guimarães Rosa
Citações de Rubens Alves, Sobre o tempo e a eternaidade, p.161-164.
Foto: Renata
Colhamos flores,
Molhemos leves
As nossas mãos
Nos rios calmos,
Para aprendermos
Calma também...
Ricardo Reis
Nínguém pode entrar no mesmo rio duas vezes.
Heráclito
O som da água diz o que eu penso.
Poeta taoísta
porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma dos homens. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranquilos e escuros como os sofrimentos dos homens. Amo ainda mais uma coisa de nossos grandes rios: sua eternidade. Sim, rio é uma palavra mágica para conjugar eternidade...
Guimarães Rosa
Citações de Rubens Alves, Sobre o tempo e a eternaidade, p.161-164.
domingo, 13 de junho de 2010
Uma versão poética de como os rios surgiram
No antigamente, o Diabo estava a morrer. Deus ficou aflito: sem o Demónio ele seria apenas metade. Foi então que Deus acorreu a curar o seu eterno inimigo. O que Deus, primeiro, fez foi beber água. Nesse tempo só havia mar. Ele bebeu dessa água salgada, cheia de alga e inorganismos. Deus teve alucinações e vomitou sobre o Universo. O vómito era ácido e os seres definharam, contaminados pelo cheiro nauseabundo. A água adoeceu, as plantas amarelaram. O gado começou a dar sangue em vez de leite. Deus enfraquecia que dava pena. Foi então, já cansado, que ele inventou os rios. Criou os rios com água vinda de suas mais longínquas forças, as veias de sua alma. Mas ele estava debilitado, incapaz de imensidões. Por isso, os rios não são tão infinitos como o mar. Aquela água doce, só de ser vista, revigorou a alma de Deus. Todavia, os rios a si mesmo não bastavam. Lhes fazia falta o mar, o lugar infinito. E a água voltou à água.
Mia Couto, O último voo do flamingo, p.124
Mia Couto, O último voo do flamingo, p.124
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