Mostrando postagens com marcador Leminsk. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Leminsk. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Alice Ruiz - Haikais e Se...

o vento passou
restou apenas
o aceno das árvores
Alice Ruiz


canto dos pássaros
um grita mais alto
tô fraco, tô fraco
Alice Ruiz


a noite avança
o cheiro da dama da noite
invade a sala
Alice Ruiz / Ná Ozzeti


no jardim da minha amiga
todo mundo feliz
até a formiga
Paulo Leminski

no jardim da minha filha
do capim à orquídea
é tudo família
Alice Ruiz
 
Nos anos 70 o Paulo escreveu o haikai lá de cima pra mim porque eu não tinha coragem de acabar com um formigueiro que tinha em meio as plantas que eu cultivava. No último fim de semana, isto é, mais de trinta anos depois, estava na varanda da casa da Estrela, lugar que ela já transformou em floresta de tantos vasos e onde cresce tudo que vocês possam imaginar, quando me brotou esse haikai para ela e, de certa forma, para ele também. Alice Ruiz (comentário sobre haikais / http://aliceruiz.com.br/haikai?page=4)


Se
se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra
eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto
ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio
daí vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
a gente se cruzasse…

Alice Ruiz

sábado, 3 de julho de 2010

Apaixonantes ipês de BH e Paulo Leminski


Fotos: Renata
tarde de vento
até as árvores
querem vir pra
dentro
Paulo Leminski

inverno é
tudo que sinto
viver é
sucinto
Paulo Leminski

Você está tão longe
que às vezes penso
que nem existo
nem fale em amor
que amor é isto
Paulo Leminski

Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
Preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
Paulo Leminski

Ai daqueles

ai daqueles
que se amaram sem
nenhuma briga

aqueles que deixaram que a mágoa nova
virasse chaga antiga

ai daqueles que se amaram
sem saber que amar é feito pão em casa

e que a pedra só não voa

porque não quer
não por que não tem asa.
Paulo Leminski